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Setembro

By setembro 2, 2015 6 Comments

Dia dois de setembro…
Eu acho engraçado que esse mês sempre consegue me deixar nostálgica.  Coloquei uma música para tocar e quando vi já era tarde demais. City and Colour. A voz do Dallas Green ecoava versos que ele parecia ter escrito para mim (pelo menos eu havia me convencido disso). Setembro me deixa nostálgica e apreensiva com todas as expectativas que eu crio. É sempre assim. Talvez por conta da primavera. Mais uma estação vai embora, outra entra…. Mais um ciclo se fechando e outro se abrindo e com isso eu faço mais um desabafo. Talvez o primeiro.

Eu não sou a pessoa que vocês acompanham. Não sou bem-sucedida, não acordo de bom humor ou bonita, não durmo feliz todos os dias e sofro de insônia mais do que deveria. A verdade é que eu tenho 22 anos, quase 23 e essa pressão em cima de mim acaba me matando aos poucos por dentro. A pressão que eu deveria ser alguém, fazer algo grande, ter um relacionamento de sucesso, um emprego fixo, amigos ao meu redor e uma família perfeita. Minha vida é tudo, menos isso. Eu sempre fui sozinha. Sempre. Não digo isso por estar passando por alguma crise ou TPM. Desde que me conheço como ser humano sempre preferi o subjetivo do que o objetivo.  Quando era adolescente eu sofri para poder me encaixar em algum grupo e parecia que nenhum deles queria me receber.

Essa sou eu falando, Astrid Lacerda, falando para todas as pessoas que passaram por minha vida e que me marcaram de alguma maneira e por todas aquelas que ainda vão passar...

Cresci dentro de um lar turbulento. Acompanhei o divórcio dos meus pais com dez anos de idade e vi mais coisas do que uma criança deveria ver. Ouvi coisas que uma criança nunca deveria ouvir. E infelizmente isso me marcou. Nunca tive de exemplo pais com 25 anos de casados, não tive os almoços de domingo e as festas de aniversários dos tios, primos os avós. Não fico triste por não ter tido nada disso, por outro lado a vida me presenteou com uma mãe maravilhosa e guerreira, que lutou e batalhou pra criar duas crianças em uma terra distante e da maneira que pode. A melhor maneira possível.

Sempre admirei as garotas da minha escola que andavam em bando, combinando os acessórios entre si e fofocando sobre alguma coisa supérflua. Eu nunca tive minhas unhas feitas, meu cabelo feito e nem o tênis mais legal da época, apesar de implorar pra minha mãe comprar um pra mim. E quando ela comprava, ele já era moda passada e todas as garotas faziam piadinha em relação a isso. De alguma forma eu gritava por atenção, eu queria ser aceita, queria ter amigos. Mas eu não conseguia acompanhar o resto do mundo. Hoje eu entendo que eles não me acompanhavam.

Tive duas maravilhosas amigas de infância e as amo até hoje. Por favor, de todo meu coração, me desculpem se eu me afastei de vocês, vocês duas sabem quem são. E vocês sabem quem eu sou. Quando minha mãe fez as malas e se mudou pra Fortaleza comigo e com minha irmã, eu tive esperança. “Eu posso me reinventar! Eu realmente posso ser aceita, eu posso ser alguém…” E lá estava eu aos treze anos me iludindo feio de novo.

Eu passava pela adolescência e foi a fase mais difícil da minha vida, não sabia pra onde ir, com quem andar, ou falar, o que fazer… Digamos que durante minha vida em Fortaleza eu descobri como escapar do mundo lá fora e acabei me encontrando nos meus livros, filmes, fics…

O mundo lá fora era muito frio e dentro de casa parecia tão aconchegante.

De lá para cá, conheci pessoas maravilhosas na minha vida. Pessoas que posso chamar de amigos e amigas, alguns de um grupo, outros de outro, eu parei de querer tentar fazer parte de algo e então as pessoas começaram a se aproximar de mim…

Pessoas maravilhosas, com histórias para contar, sonhos pra dividir e momentos pra viver. Cada período que tive perto de cada uma delas foi surreal. Tive pessoas que me decepcionaram profundamente. Isso acontece e vai acontecer sempre com quem tem o coração grande demais. Como eu disse, o mundo lá fora é frio demais… E a culpa não é das pessoas por elas serem assim. O mundo torna elas assim. Eu aprendi isso da pior forma possível. Seja em amizade ou relacionamentos. Eu vejo as pessoas passando pela minha vida, dizendo Oi e Tchau e eu continuo me movimentando e conhecendo cada vez mais gente.

Eu sempre fui muito intensa. Eu amo demais…. Tive três relacionamentos na minha vida e amei os três de tal maneira que me destruiu por dentro. Lembro que o meu primeiro amor eu larguei toda minha vida e fui viver perto dele, eu estava disposta a isso.  Fiz as malas e não olhei para trás. Eu o amava profundamente. A mulher que eu sou hoje, eu agradeço a ele por ter me ajudado. O segundo, me encontrou perambulando pelo mundo e ainda machucada com o termino do primeiro. Desculpa se não pude te amar da maneira que você desejava, mas eu juro que eu te amei da maneira que eu podia. O terceiro ainda arde na minha carne e faz meus ossos doerem. O término foi recente, mas eu sempre fui boa com despedidas. E então eu dei adeus pela última vez e foi cada um para o seu caminho.

Até hoje eu me pergunto o porquê de tantos relacionamentos fracassados. O porquê de eu não ser suficiente e até hoje me culpo pelo termino de cada um deles. Eu vivia momentos maravilhosos e sempre acabava sozinha de noite encarando o teto. Mas lembra quando eu disse sobre querer me encaixar? Querer ser alguém para poder ser aceita? Eu não estava sendo eu mesma. E quando você cria essa máscara, como você espera que a pessoa te ame por quem você é? Eu sou assim, eu sempre vou preferir ficar sozinha vendo um filme com meu cachorro, lendo um livro sábado a noite, dirigindo madrugada a fora sem planos. Meus amigos me achavam parada demais, eu só me sinto em outro mundo, em outra realidade…

Hoje, dia dois de setembro de dois mil e quinze, meu verdadeiro eu continua em busca daquilo que alimente ele mesmo. Que seja intenso, que seja arriscado. Eu recuso a me sentir engaiolada. Eu recuso o morno. Não sou oito ou oitenta. Acredito que ou o oito ou o oitenta seja ruim. Recuso tudo aquilo tudo de ruim, recuso o que for denegrir alguém, recuso aquilo que for me denegrir.

Eu não sou perfeita, não tenho a família perfeita, nunca fui suficiente nos meus relacionamentos, sempre tive desentendimentos com minhas amizades, e sempre falei mais do que deveria. Essa sou eu. E esse não é um texto para me auto afirmar.
É só um primeiro desabafo.

xx,
Astrid

Astrid Lacerda

Author Astrid Lacerda

Financial & High Performance Coach, CCO at SobreEntretenimento and Writer

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Join the discussion 6 Comments

  • Rafaela Morassutti disse:

    Astrid,
    Você é uma das melhores pessoas que eu conheço. Não sei se algum dia vou ter a oportunidade de te conhecer pessoalmente, mas apenas quero dizer que suas experiências me inspiram e que você me encanta muito. Você é perfeita do seu jeito mulher. Nunca deixe de ser você mesma. Nunca deixe que te digam o que você tem que fazer ou deixar de fazer.
    Com carinho,
    De uma admiradora nem tão secreta assim.

  • Júlia disse:

    Posso te pedir uma coisa? Não deixe de ser o que você é, por todo mundo que te admira, com todas as qualidades e defeitos. Vou desabafar pra você mesmo que não faça sentido.
    Bom, eu me identifiquei no texto. Em relação a você também, mas eu me identifiquei com: “relacionamentos e amizades fracassadas”. Tantas pessoas que deixei escapar e tantas pessoas que me decepcionaram, que se hoje acontecer de novo eu vou rir. Meus pais se divorciaram com 2 anos e não tenho nenhuma imagem deles juntos na minha cabeça (nada mesmo). Porém, ainda tenho uma mãe que luta por mim e irmãs incríveis, tenho minha vó e bisavó materna que significam tudo pra mim, tenho pessoas em quem confio de olhos fechados e agradeço por isso todos os dias. Eu tento sempre me encontrar, seja em amigos ou relacionamentos (se é que se pode chamar assim). Mas a verdade é que somos auto-suficientes e não existe ninguém pra ser a minha ou a sua metade. Somos o bastante pra nós mesmos. Eu e você ainda vamos quebrar a cara milhões de vezes, mas sabemos que vamos levantar e que tudo passa… Como você diz: life goes on. Meu amor, eu só peço que você nunca perca a fé na vida. Beijos

  • Yás disse:

    Acho que o pior e o melhor da vida é justamente a mesma coisa: a perfeição não existe! Não existe vida perfeita, nem relacionamento perfeito, nem pessoa perfeita e isso faz com que a gente sinta tudo de uma forma mais intensa, faz com que tenhamos essa vontade de nos mover, de querer mudar, se reinventar… te acompanho nesse mundo virtual há algum tempo, e arrisco dizer que você é a pessoa mais “intensa” que eu já vi na vida, isso chega a ser quase palpável nas suas fotos, nos seus textos e no modo como você trata as pessoas. Não sou nenhuma especialista na vida, ainda estou aqui procurando meu lugar, sonhando com coisas ainda mto distantes e vendo a vida passar muito rápido, mas, se tem uma coisa que eu tento fazer e que eu aprecio é a verdade. E eu vejo verdade em ti, quando por exemplo, expõe teus sentimentos aqui pra gente. Quando não tem medo de correr atrás dos teus sonhos, mesmo que pra isso precise ficar longe da sua mãe e da sua irmã. Quando se joga de cabeça num relacionamento, mesmo que não saiba se vai dar certo ou não. Você é verdadeira simplesmente por ser Astrid, então, por favor, não tente se encaixar em nada, não cogite mudar quem você é. Você é maravilhosa <3

  • Ana Simas disse:

    Obrigada por dizer as palavras que eu não tenho a coragem de falar! Sinta meu abraço, e não se sinta só! Um beijo!

  • Hellen disse:

    a forma que você se expressa é fascinante. não sou uma pessoa que te acompanha há muito tempo, para falar a verdade, essa é a primeira vez em que entro em seu site. já te acompanho faz um tempinho pelo insta e sempre via suas fotos e pensava “que mulher linda, senhor” e agora leio seu texto e acabo te conhecendo ao menos um pouco e você só demonstrou que é muito mais que um rostinho bonito. não te conheço, mas eu acredito que você pessoalmente deva ser ainda mais incrível do que mostra em fotos e atrás de seus textos.
    eu queria te dizer que você não precisa se culpar por algo que não deu certo, sabe? eu acredito muito que quando não dá certo é por que não era pra acontecer, sei que é difícil da gente acreditar nisso, mas acontece que a gente não pode esperar que as coisas sejam do nosso jeito. eu acredito em Deus e eu também acredito que Ele escreve certo em linhas tortas. Ele possui planos pra você. espero que você tenha um ótimo final de ano e tenha muita fé! independente de sua religião, tenha sempre fé e acredite que coisas boas estão por vir. desejo que você encontre sua paz, pode demorar, mas não se tenha angústia, sua paz vai chegar. Deus te abençoe, linda!

  • A.S disse:

    Cara, acho que nunca me identifiquei tanto com um texto. Até parece que eu que escrevi isso, eu escrevia muito mas ultimamente meio que deixei isso de lado. Eu percebi que “só tinha inspiração quando estava triste”. Um dia eu resolvi ler tudo que já tinha escrito e pensei “meu deus, eu não quero sentir isso de novo, não quero pensar mais assim”, enfim, joguei todos fora.
    Eu me identifiquei muito na parte que você disse que se sentiu destruída pelos relacionamentos que já teve. Eu te entendo perfeitamente, porque sou assim: eu me entrego tanto, que chega a doer e parece que a minha vida depende daquela pessoa. Certo ou errado, eu sou assim…
    Porém das experiências que tive, pude construir pouco a pouco a minha própria personalidade, fez com que eu pudesse me conhecer, amadurecer, aprender com os meus próprios erros. Mas dai aparece outro cara e te tira do eixo kkkk
    Enfim, você é maravilhosa e inspiradora. Beijos!

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