BLOGTEXTOS

O que nós podemos aprender com a Rey?

By dezembro 25, 2017 No Comments

Pode parecer um tanto que estranho esse texto, mas eu precisava de alguma forma compartilhar o que eu – acidentalmente – acabei aprendendo com a personagem Rey de Star Wars.

Sempre fui uma grande fã do universo de Star Wars e cresci assistindo os filmes, mas apenas hoje, com vinte e cinco anos, eu tive uma visão totalmente diferente, quase como se o filme quisesse me passar uma mensagem especifica de fé. Talvez para você seja tudo uma coincidência, mas acredito que de alguma forma Deus falou comigo durante o filme e espero que Ele continue falando diariamente, que eu abra o meu coração para que eu possa identificar Sua mensagem em todos os lugares e em tudo o que eu fizer.

E que a Força esteja com você. Sempre.

Tudo começou quando minha irmã, Rafaella, comprou os ingressos da pré-estreia de Star Wars – Os Últimos Jedi. Ela pulava de alegria, enquanto eu tentava me lembrar da última pré-estreia que fui – exato, há alguns anos atrás, em uma galáxia bem distante -. Não que eu não estivesse animada para assistir, eu estava, mas ir no cinema meia-noite,  quando meu corpo lutava para se adaptar com o novo fuso-horário, não parecia uma boa ideia. Mas ela estava feliz e eu conhecia aquele sentimento de empolgação, afinal pré-estreias fizeram parte da minha vida e essa seria a primeira dela.

Chegou a hora de ir para o cinema. Virei uma xícara de espresso ás onze da noite, peguei a chave do carro, dei aquele suspiro e fomos. Nada de filas, tudo bem tranquilo – benefícios de hoje em dia onde você tem o seu assento marcado, na minha época tinha que acampar na fila e quando as portas abrissem, correr a 120km/hora para conseguir o melhor lugar da sala -, compramos pipoca e entramos na sala 8 do Cinemark do Shopping Tamboré vinte minutos antes da sessão começar.

E então começou.

EPISODE VIII

THE LAST JEDI

(…)

Olhei para os lados e todo mundo tinha os olhos fixos na tela sem piscar. Comi um pouco da pipoca e terminei meu refrigerante em dez minutos. Alguma coisa estava me deixando ansiosa, levantei e fui no banheiro – mil desculpas, mas sim, demorei mais do que deveria.

Voltei, me sentei no meu lugar – já marcado lol -, e a cena que estava passando era a Rey com a testa franzida, um olhar teimoso e uma atitude determinada tentando conversar com um Luke Skywalker robusto, bem rabugento e incomodado, em uma ilha deserta no meio do oceano, em um oceano no meio do nada.

Mas vamos por partes, antes de continuar queria dar uma breve introdução de quem é Rey.

Rey é humana. Nascida de pais desconhecidos com cinco anos foi “abandonada” por eles no planeta desértico e isolado de Jakku – razões, assim como seus pais, também desconhecidas. Ela cresceu acreditando que eles cometeram um engano e que um dia voltariam e levariam ela de volta para casa. Vivia sozinha e sempre se sentiu deslocada, mesmo sendo solitária, se sentia bem em ajudar os que precisavam. Pronto, tentei fazer uma descrição sem dar tanta informação sobre a personagem. ASSISTAM AOS FILMES, POR FAVOR!

Esse filme foca muito mais nos personagens do que no cenário geral da história. Três personagens nesse caso.

Kylo Ren, o vilão.

Luke Skywalker, a “lenda” que se isolou.

Rey, bom… A Rey é a Rey.

Resumo porque vai muito além disso: Rey encontra Luke e tenta convence-lo de ensiná-la os caminhos da Força, mas Luke carrega uma bagagem emocional cheia de remorso, o que foi um dos motivos de se isolar em uma ilha deserta. Luke ensinou Kylo Ren, – o vilão – tudo, e foi traído, então se sente culpado por não ter detectado a escuridão dentro dele. E Kylo Ren guarda raiva e ressentimento por Luke.

Deu pra entender mais ou menos? Então vamos lá. O que prendeu a minha atenção e fez com que eu passasse o resto do filme com os olhos fixos na tela como o resto dos fãs, foi a cena em que Luke pede pra Rey entrar em contato com a Força dentro dela.

Luke: O que você sabe sobre a Força?

Rey: É um poder que os Jedi tem de controlar pessoas e fazer as coisas flutuarem.

Luke: Impressionante. (…) A Força não é um poder que se tem. É o equilíbrio entre todas as coisas, uma tensão, uma energia que mantem o universo unido.

Rey: Mas o que ela é?

Luke: Alcance os seus sentimentos. O que você vê?

Rey: A ilha, a vida, tem morte e podridão alimentando nova vida. Calor e frio. Paz, violência.

Luke: E no meio de tudo?

Rey: Simetria, energia… A Força.

Luke: E dentro de você?

Rey: Dentro de mim essa mesma Força.

Luke: Essa é a lição. Essa Força não pertence ao Jedi, dizer que pertence ao Jedi, quando um Jedi morre essa força morre. Isso é vaidade. Não consegue ver isso?

Rey: Tem uma outra coisa, abaixo da ilha. Um lugar… Um lugar sombrio.

Luke: Simetria. Poderosa luz, poderosa escuridão.

Rey: É gelado e chama por mim.

Luke: Resista.

Rey havia dito a Luke que algo dentro dela sempre esteve lá, mas agora havia despertado. Isso é, a Força havia despertado dentro dela, chamando-a para seu proposito. Rey sabia que tinha um proposito, ela ainda não sabia qual era, mas entendia que precisava treinar, tornar-se mais forte. Ela precisava entender o que era a Força porque ainda estava vulnerável e suscetível ao inimigo. É quando vi que a escuridão chamava ela, tentando desviá-la do caminho da Força. Tentando manipulá-la oferecendo respostas para as perguntas dela. Uma delas seria: Quem sou eu? De onde eu vim? Quem são meus pais?

Quando entendemos que somos pessoas com um propósito maior do que nós mesmo e mantemos nossos olhos fixos nos planos que Deus tem para nós, é quando o inimigo fixa os olhos em nós e investe com o intuito de nos afastar de Deus. O proposito de Rey não era para beneficio dela, mas pra beneficio da galáxia. Ela não salvaria e ajudaria ela mesma, mas salvaria a vida de muitas pessoas.

Quem poderia ensinar Rey seria Luke, mas Luke carregava um fardo enorme por ter ensinado Kylo Ren sobre a Força e mesmo assim ele ter escolhido o lado da escuridão. Luke não queria cometer o mesmo erro novamente.

Entendemos um pouco mais sobre o livre arbítrio quando comparamos Kylo Ren e Rey. Kylo Ren escolheu o lado escuro, ele preferiu escutar a escuridão que ofereceu respostas a ele. Você vê que a personalidade dele é a representação humana: ele era cético, arrogante, egocêntrico e era movido a vingança e principalmente tudo que fazia era para beneficio dele – inclusive matar o próprio “mestre”, achando que poderia fazer melhor que ele -. Ele não acreditava em nada além dele. Isso prova como o coração dele era traiçoeiro e movido pelo ego.

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?” Jeremias 17:9

Rey pelo contrário nunca fez quis tirar vantagem da situação, nunca quis se beneficiar. Ela queria, através do chamado dela, genuinamente ajudar a galáxia. Inclusive a Princesa Leia fala sobre Rey: Ela estava mais interessada em proteger a luz do que ser vista como heroína.

“Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”. Lucas 14:33

A vida cristã é feita de renuncia. Renuncia é repudiar completamente sua natureza humana. Você aprende que tudo o que faz é para Deus e todas as suas bênçãos são para Deus. Você passa a ser um sacrifício vivo representando e lutando por aquilo que acredita. Se Cristo deu sua vida por mim, o mínimo que posso fazer é dar a minha e ele.

Em uma cena, Yoda aparece para Luke e queima os livros de ensinamento Jedi e diz que os livros continham sabedoria, mas nada que Rey já não soubesse ou tivesse aprendido, ela precisava era de algo maior do que isso para completar o treinamento e Luke deveria servir de exemplo.

Essa cena me remeteu a como Jesus Cristo que foi enviado para libertar seu povo escravizado pela culpa da lei e religião. A vinda de Jesus não anula os ensinamentos da bíblia, mas nos redime, nos apresenta ao amor paterno e ao Espírito Santo que passa a viver dentro de nós. Somos instruídos a viver uma vida seguindo ao exemplo de Jesus, que era amor, justiça e principalmente sacrifício e renuncia. Rey precisava conhecer isso, foi algo que Kylo Ren não conheceu.

Yoda ainda fala: Nós somos aquilo que eles se tornam. O aprendiz se torna o mestre.

No final do filme, depois de toda ação, é quando entendemos que a guerra havia acabado de começar, quando você acorda para o seu chamado, é quando as coisas começam a ficar difíceis. Rey desespera e começa a duvidar que teriam forças para lutar contra o inimigo. E a Princesa Leia diz a Rey: nós temos tudo o que precisamos. O que é verdade, as vezes nossa natureza humana se desespera, nós não entendemos o tempo de Deus e nossa fé até falha quando achamos que devemos correr atrás de tudo, somos cegados pela ansiedade, mas a verdade é, Deus está bem ali, a Força estava dentro dela, nós apenas temos que nos permitir enxergar e sentir e então descansar Nele para se seu proposito se cumpra. 

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
Mateus 11:28-30

Vamos focar mais nos planos de Deus para nossa vida, nas promessa que ele tem para nós, vamos deixar de lado nossa natureza humana e entender que os planos Dele são muito maiores do que os planos que nós temos para nós mesmos.

Que a Força esteja com você.

Com amor,

Astrid.

Astrid Lacerda

Author Astrid Lacerda

www.instagram.com/astridlacerda

More posts by Astrid Lacerda

Leave a Reply