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Margo Roth Spiegelman

By julho 22, 2015 11 Comments

Decidi ir ao cinema assistir Cidades de Papel, não fazia ideia da história que o filme contava então não sabia o que esperar, lembro que resolvi não pesquisar sobre. Apenas fui esperando alguma surpresa. Depois de uma hora e cinquenta minutos de filme que passaram voando, saí estupefata, boquiaberta, e ainda me perguntando: Quem é Margo Roth Spiegelman?

Muitas pessoas podem dizer que há poucas pessoas no mundo como ela, eu posso AFIRMAR que cada um de nós tem um pouco de Margo Roth Spiegelman. Pra quem não leu ou assistiu ainda o filme, esse trecho foi o mais próximo de descrevê-la, apesar de eu achar que não há definições para ela.

Margo Roth Spiegelman, cujo nome de seis sílabas era frequentemente pronunciado inteiro, em uma espécie de reverência silenciosa. Margo Roth Spiegelman, cujas histórias de aventuras épicas se espalhavam pela escola como uma tempestade de verão: um velho que morava num casebre em Hot Coffee, Mississippi, a ensinara a tocar violão. Margo Roth Spiegelman, que passou três dias viajando com o circo — eles achavam que a menina tinha potencial no trapézio. Margo Roth Spiegelman, que bebeu uma caneca de chá de ervas no camarim do Mallionaires depois de um show em St. Louis, enquanto eles bebiam uísque. Margo Roth Spiegelman, que conseguiu entrar no tal show dizendo ao segurança na porta que era namorada do baixista e que eles não a estavam reconhecendo, e, fala sério, cara, meu nome é Margo Roth Spiegelman.

E se você for lá dentro e pedir para o baixista vir aqui me ver, ele vai dizer que ou eu sou a namorada dele ou que ele queria que eu fosse, e quando o segurança fez isso, o baixista veio e disse “é, ela é minha namorada, pode deixar entrar”, e depois, quando o cara quis ficar com ela, ela deu um fora no baixista do Mallionaires. As histórias, quando passadas adiante, invariavelmente acabavam com um “Dá para acreditar?”. Normalmente não dava, mas elas sempre se provavam verdadeiras.
Quentin

Ela era intensa, aventureira, impulsiva e mesmo sendo completamente extrovertida, mantinha ela mesma para si, aquele típico clichê de mostrar para os outros aquilo que você quer que eles vejam. Talvez ela pensasse que se mostrasse mais de si, se tornaria vulnerável. E isso pode ser bem cruel para uma pessoa que quer abraçar o mundo. Eu me identifiquei com ela. Não 100%, talvez 178% ou 200%.

Quem me conhece, sabe que saí de casa sem muitos rastros, sem muitas despedidas, e até mesmo sem muitos planos, acredito que eles mudam de mês em mês (pelo menos pra mim).  A pergunta que eu mais recebo é:
Por quê você saiu de casa tão nova?
Eu sempre detestei rotinas, mais do que tudo! O fato de viver dentro de uma zona de conforto me assustava tanto que só de pensar em ver as mesmas pessoas, os mesmos lugares, fazer o mesmo caminho me dava náuseas e vocês não fazem ideia de tamanha frustração que crescia dentro de mim.

Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. Todas as crianças de papel bebendo a cerveja que algum vagabundo comprou para elas na loja de papel da esquina. Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e frágeis como papel. – Cidades de papel.

Como disse uma vez: admiro quem consegue se firmar, criar raízes, viver dentro de uma rotina. Mas EU não consigo e não acho que o excesso disso seja algo saudável. Não consigo me lembrar de quantas vezes mudei de escola, imagina se eu tivesse que olhar pra cara do mesmo professor de álgebra todos os dias? Alguém não saíria vivo daquela sala: esse alguém certamente seria eu.

A questão é: você pode viver feliz com sua rotina, com seu trabalho, com sua faculdade, com os planos que você fez pra você, mas a partir do momento que aquilo te deixa apático, você precisa MESMO rever seus conceitos de “FELICIDADE”.
Vamos falar sobre zona de conforto:

A zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e/ou comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco.
WHITE, Alasdair, 2018.

Se você odeia acordar todo dia às seis horas da manhã, passar uma hora no trânsito, olhar pra cara do seu chefe que te desrespeita, ficar trancado no seu escritório de segunda a sexta esperando pelo fim de semana, você pode ter certeza que isso esta errado. Na verdade, se você chegou a esse ponto, tudo está errado na sua vida.

“Como se fosse fácil largar o emprego, eu preciso trabalhar, fazer dinheiro!”

Sim. Precisa. E por acaso é só isso que você sabe fazer?É aí que vem o balde de água fria:você se limita. Sabe por quê? Por que você não conhece a si mesmo. Você pensa que conhece, passou a vida inteira acreditando que conhece, mas você não faz ideia de quem você é.

"Você tem que se perder antes de se encontrar."
Margo Roth Spielgeman

Você não faz ideia do que é capaz, porque NUNCA saiu da sua zona de conforto a ponto de descobrir quem é você.

Lembro que costumava me mudar de cidade sempre que me sentia entediada com as situações ao meu redor. Sete bilhões de pessoas no mundo, e você está preocupado em viver na sua zona de conforto, focar nos seus planos pro futuro (aqueles que você acha certo pra você), e viver a vida que você ACHA certa porque a sociedade impôs pra você. Não.Sempre gostei de conhecer pessoas, de conversar, de escutar, e sei que cada uma delas deixou uma marca em mim. Pra mim, essa é a grandeza da vida. Sentir, descobrir, conhecer…

"É muito difícil ir embora, até você ir embora de fato. E então ir embora se torna simplesmente a coisa mais fácil do mundo."
Cidades de Papel

Não seja uma pessoa de papel, em uma casa de papel, vivendo em uma cidade de papel. Eu realmente acredito que cada um de nós temos uma porcentagem de Margo Roth Spiegelman, o grande passo é libertá-la dentro de si. Lembre-se: A verdadeira grandeza da vida é se permitir porque você nunca sabe o que o mundo tem a te oferecer.

xx,
Astrid

Astrid Lacerda

Author Astrid Lacerda

Coach de Alta Performance, escritora e estrategista de vida e finanças.

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  • Larissa Caramel disse:

    Você é tão eu

  • Bianca Ferreira disse:

    Caramba! Que texto!!!!
    Falou muito ao meu coração. Obrigada por ser quem você é e me inspirar tanto, Astrid. <3

  • Larissa disse:

    Eu não tenho nem palavras pra dizer o quanto esse post me emocionol, ou motivou, ou tocou… nem sei explicar. Estou em um momento não tão bom/fácil da minha vida, e talvez seja a hora de soltar a Margo ou Astrid que há dentro de mim. Muito obrigada, Astrid… você é foda!

  • Larissa Oliveira disse:

    Acho que esse foi o post que eu mais gostei até agora, não que eu não tenha gostado dos outros, eu AMEI! Mas esse, sei lá, foi diferente… Adorei as palavras que usou, gostei de tudo, e mais uma vez aprendi com você. A cada post que você escreve eu aprendo uma coisa nova. Você é incrível, admirável! Enfim, é isso. Parabéns pelo post incrivelmente incrível haha! Te amo.

  • Bianca disse:

    MARAVILHOSO, INTENSO, EMOCIONANTE!!! Como tudo que vem de você. Meu Deus, você é demais, garota!!! Todos precisam saber quem você é e precisam também descobrir que todos nós temos uma parte meio Astrid dentro de si. Obrigada por não ser só mais uma blogueira nos mostrando coisas supérfluas e que não acrescentam em nada. MUITA luz no seu caminho, você merece.

  • Larissa (quantas larissa's haha) disse:

    Não sei se o que eu vou escrever se enquadra exatamente com o contexto, algo que eu sempre escuto/leio é “seja você mesmo/be yourself” mas a única coisa que me vêem a cabeça é “PORRA, E SE EU NÃO SOUBER QUEM EU SOU e se eu não quiser ‘ser eu mesma’?!”, acredito que devemos simplesmente viver, se descobrir com o tempo, até porque o que somos hoje, não seremos amanhã e muito menos fomos ontem.
    Alias, “A verdadeira grandeza da vida é se permitir porque você nunca sabe o que o mundo tem a te oferecer.” – Astrid Lacerda

  • Larissa Soares disse:

    Omg, Que post maravilhoso foi esse ❤❤ Eu amo o jeito que você escreve Astrid, Admiro tanto a forma como você vive a vida sabe e espero um dia ser assim também, és minha inspiração de sempre, Parabéns pelo post e pelo blog ❤

  • Ellen Stellet disse:

    Eu não sei o motivo,realmente não sei,mas quando você expressa o seu modo de pensar,e seu modo de vê o mundo, eu penso ” Cara,como uma pessoa que eu mau conheço,nunca vi pessoalmente (e talvez jamais verei) pode vê o mundo como eu vejo?”,sério isso me apavora.Mas há uma diferença entre eu e você.Minha realidade nem sempre foi muito boa,então para mim idealizar/sonhar/planejar é algo que está constantemente em meu cotidiano,pq cara a realidade é totalmente fodida e eu acho que se não obtiver nem um pingo esperança ou não sonhar talvez poderia enlouquecer.Sonho em ser curadora de arte e trabalhar em uma daquelas galerias de arte e museus de Londres e cara quando eu falo isso pra alguém as pessoas ficam tipo ” Fala sério”,mas mesmo assim eu continuo acreditando.No entanto,você sempre disse que nunca planejou nada na sua vida,mas independente disso vc teve a coragem de enfrentar algo que jamais planejou para si.E é isso que falta em mim.CORAGEM!Sempre quando você fala em algum lugar sobre a iniciativa de largar tudo e viver do seu jeito tenho realmente uma puta vontade de fazer isso,e cara você não pode imaginar o animo que isso me dá.Tenho a certeza que muitas pessoas olham pra você e te julgam errado como uma pessoa superficial cuja a beleza é a única coisa que tem de mais interessante,mas cara eles estão TOTALMENTE ERRADOS,pq maluco à cada post seu você parece injetar em nós algum tipo de ”estimulante” e são poucos aqueles que possuem tal poder.Astrid querida,OBRIGADA!E eu realmente sinto pena daqueles que preferem te julgar errado primeiro do que tentar saber a sua personalidade e poder conhecer a pessoa maravilhosamente interessante e estimulante que você é.
    DESCULPA PELO TAMANHO DO TX!

  • Bruna Viana disse:

    Astrid, eu acompanho você nas redes sociais tem pouco tempo e comecei a ler o seu blog por mera curiosidade. Não li e ainda não tive tempo pra assistir Cidades de Papel, e sabe porquê? Porque eu sou justamente uma dessas pessoas que acorda todos os dias as 6h da manhã, passa uma hora no trânsito pra olhar na cara do chefe mal humorado. E eu odeio. Mas preciso. Eu acredito que o mais difícil seja se desprender, o mais difícil é dar o primeiro passo pra sair da zona de conforto. É complicado. Mas de alguma forma o seu texto me deixou curiosa sobre o filme, de alguma forma você consegue expressar com palavras o que eu sinto todos os dias quando estou insatisfeita com a vida que estou levando e não sei por onde começar a mudar. Continue escrevendo no blog e compartilhando conosco seus pensamentos e aventuras. Você é um espírito livre, uma força da natureza. Parabéns, de verdade <3

  • Isabella Siqueira disse:

    Inspirador não foi palavra o suficiente pra descrever esse post. Eu amo o jeito que os seus textos me fazem sentir, como se tudo fosse possível, sabe? Você me deixou tão nostálgica e cheia de vontade de viver, me sentir intensa, criar histórias, rir até não poder mais e aproveitar cada segundo da preciosa vida que eu levo. Me faz perceber a importância das coisas. Queria te agradecer muito, tu és tão imensamente incrível, assim como a Margo, inexplicável.

  • Júlia disse:

    CA-RA-LHO! Eu realmente acho que 99% das pessoas pensam assim, apenas não descobriram isso ainda. Mas tem outras que já trazem isso em si com muita certeza! Você é uma delas e eu também. Parabéns, o post tá lindo <3

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