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June Gloom

By junho 15, 2016 10 Comments

A verdade é que sempre fui muito intensa. Desde criança tive essa obsessão por liberdade, acho que vai muito mais além do que liberdade,  a obsessão era por momentos, pelo simples fato de poder sentir. Algumas crianças caçavam pedras, borboletas, tesouros, eu caçava emoções. Era um vício, eu ansiava por algo muito maior do que algo que eu pudesse manter por um curto período de tempo em um pote de vidro na prateleira em cima da minha cama, eu ansiava por experiências, cicatrizes que eu carregaria na minha carne e lembranças armazenadas dentro da minha cabeça pelo resto da minha vida.

Naquela época eu não entendia o porquê de ser tão diferente das outras crianças. Eu não entendia o porquê de ser boa e totalmente dedicada em tudo que eu fazia, mas incapaz de finalizar algo.

Eu queria demais. Eu queria saber demais, entender demais, viver demais, ter feito demais. Eu queria viver uma vida de duzentos anos em uma década. Eu sentia uma grandeza dentro de um corpo frágil e pequeno. E eu detestava isso. Eu tinha menos de dez anos e já sentia a frustração correr nas minhas veias junto com meu sangue e bombear certa ansiedade no meu coração.

A verdade é que hoje eu entendo o porquê. Algumas pessoas podem viver cem anos e sentir nem ao menos a metade do que eu senti em duas décadas.

Eu coleciono memórias, estórias, afeição. Eu admiro o ser humano. Eu admiro qualquer ser que entende que não basta só existir, que a vida vai muito mais além do que isso, que a verdadeira essência é SER humano.

Eu gostaria que as pessoas se apegassem menos a coisas pequenas e passageiras, que pensassem menos nas conseqüências, que entendessem que o tempo cura qualquer ferida. O tempo… Para os magoados, tempo é o remédio, para quem vive cem anos tempo é uma maldição. Para aqueles que não têm muito tempo, bom… Eles param de pensar no tempo e esses são os primeiros a SEREM humanos.

A verdade é que eu acredito em destino. Você pode chamar de promessas, de acaso, sina, fado… Acredito que cada um é designado para algo durante a vida. O livre arbítrio funciona na escolha do caminho que você vai tomar até chegar lá. E eu posso te garantir que não existe caminho certo ou caminho errado, o caminho fácil ou o caminho mais difícil. Eu posso te garantir que não é oito ou oitenta. Os caminhos se resumem a que ponto você vai se permitir na vida. Nessas horas eu sinto orgulho de ser uma pessoa impulsiva. Eu vivi.

Eu amei as pessoas que tive que amar, ri com quem tive que rir e compartilhei minha dor com quem era capaz de carregá-la comigo.

Humanos. Eu conheci tantas pessoas extraordinárias, eu assisti tantas delas morrerem. E eu me pergunto qual caminho eles escolheram.

A minha obsessão por liberdade não é uma desculpa. Não é aquele clichê de uma criança que cresceu em um “lar quebrado”, não é porque eu não tive a atenção dos meus pais, não é porque meu coração foi quebrado e eu terminei decepcionada e sozinha. Minha obsessão por liberdade vai além de qualquer experiência momentânea que eu tive. Porque quando eu tinha oito anos, depois de quebrar minha perna duas vezes em menos de um ano, eu entendi o quão frágil a vida é e quão insignificante nós somos. Eu não quero mudar o mundo, nunca foi minha ambição. Minha ambição foi e sempre será mudar mundos. Transformar pessoas e compartilhar estórias. Fazer com que as pessoas ao redor de mim vivam tudo o que eu vivi e tudo aquilo que eu não vou ser capaz de viver.

xx,
Astrid

Astrid Lacerda

Author Astrid Lacerda

Coach de Alta Performance, escritora e estrategista de vida e finanças.

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  • Beatriz Bressanin Angélico disse:

    Oi, Astrid!
    Aqui é a Bia, não sei se lembra de mim. (Amiga do Caio Lima).

    Hoje procurei por Astrid Lacerda na internet e encontrei o seu site, que bacana acompanhar sua evolução, te desejo muito sucesso. Você é uma pessoa extremamente forte e capaz, por isso nunca duvide do seu potencial!

    Entendo perfeitamente o que quer dizer em seu texto, também sou uma caçadora de emoções. Acredito que é impossível explicar para as pessoas comuns o que é ter uma alma intensa, pois para os comuns vai parecer que intensidade é apenas uma palavra bonita para justificar uma personalidade inconsequente. Eles nunca entenderão a nossa essência sem antes nos julgar. E, o pior e mais triste de tudo, nunca “sentirão” de forma completa.

    Continue inspirando vidas, você inspirou a minha e com certeza muitas outras!
    Parabéns e muito, muito, muito sucesso.

    Você merece!

    Beijos, Bia.

  • Amei esse texto, a questão da liberdade me fez sentir que compartilhamos dos mesmo desejos. Wild Hearts <3 Escreva mais, muito mais!!

  • Thaís disse:

    CARALHO!!!!!!!! Nunca li um texto tão eu.

  • Carol disse:

    Astrid, o que é liberdade pra vc?
    Você fala tanto que é obcecada por sentir emoções, mas quais? Adrenalina?
    O que te faz sentir viva?

  • Jayne Sousa disse:

    Caralho Astrid, você é tão incrível!
    Te admiro tanto por ser alguém amante dessa tamanha liberdade com a qual leva a vida, sério garota! Você me inspira tanto, Astrid, por favor, não pare de escrever. ❤

  • Thatiane Mercado disse:

    Engraçado como as palavras colocadas de maneira certa nos tocam, não pensei que choraria lendo um texto, abri a página por curiosidade e suas palavras me tocaram de uma forma que eu nunca achei que fosse possível, obrigada por me permitir sentir isso.

  • Laura disse:

    Muito bom! Adorei o texto e super me identifiquei.

  • Arianna disse:

    Uma pergunta: Você se inspira tanto em personagens de livros e filmes que acaba se enxergando como um? Tipo, você absorve a estrutura base do desenvolvimento da persona mídia (A forma como se cria um personagem para a mídia e o gênero em questão, no caso aqui a literatura e o cinema) e recria ela em sua vida como se as características da sua personalidade e as suas análises da suas experiências ao longo da vida se baseasse num personagem do qual você desenvolveu certa afeição, ou uma admiração. Basicamente, você se inspira neles ao ponto de se enxergar como um?

  • Dayane disse:

    Sem palavras… encontrei esse texto por acaso e senti TANTO. Me identifiquei demais. Até escrevi trechos dele no meu caderno diário especial que carrego pra todo lado. Continue escrevendo!! ❤️

  • Caroline Loth disse:

    pisa menos, Astrid

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O que parece ser um cenário caótico é apenas uma vida sendo conduzida ao seu propósito.